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Euler: o protestante reformado que transformou a Matemática

17 de fevereiro de 2025

Euler: o protestante reformado que transformou a Matemática

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'Ele calculava sem nenhum esforço aparente, assim como os homens respiram, como as águias se sustentam no ar.' — François Arago sobre Leonhard Euler.

Quando pensamos em grandes matemáticos, nomes como Newton ou até Pitágoras costumam vir à mente. Mas poucos dos que estão fora das discussões matemáticas conhecem Euler, um dos matemáticos mais brilhantes da história. Mais do que um gênio da matemática, Euler foi um homem de fé, cuja vida e trabalho refletem uma mente extraordinária e uma profunda devoção. Leonhard Euler (1707-1783) foi um dos matemáticos mais influentes da história. Suíço de nascimento, Euler deixou um vasto legado. Diz-se que não há uma área da matemática que não tenha recebido sua influência.

Nascido em 1707 em Basel, na Suíça, Euler mostrou desde cedo um talento incomum para os números. Filho de um pastor da Igreja Reformada e na esperança de que ele também seguisse o sagrado ministério, Euler começou a estudar Teologia, Hebraico e Grego. Vendo as habilidades matemáticas impares de Euler, Johann Bernoulli, discípulo de Leibniz, interviu e aconselhou o jovem rapaz a seguir o caminho das ciências matemáticas. Euler buscou — e obteve — permissão dos pais para seguir uma nova carreira.

Não demorou para que a fama do rapaz se espalhasse pela Europa. Dominou o russo, trabalhou com a Marinha Imperial Russa e enfrentou a hostilidade da nobreza e da Igreja Ortodoxa. Em 1734, ele se casou com Katharina, uma mulher suíça que trabalhava em São Petersburgo. Seu casamento feliz duraria quase quarenta anos; eles tiveram treze filhos, apenas cinco dos quais sobreviveram à infância.

A dedicação de Euler à matemática não foi abalada nem mesmo por desafios pessoais significativos. Em 1735, sofreu uma febre quase fatal que resultou na perda parcial da visão em seu olho direito. Posteriormente, em 1766, uma catarata no olho esquerdo o deixou completamente cego. Apesar disso, sua produtividade permaneceu notável. Com uma memória prodigiosa e auxiliado por seus filhos e assistentes, Euler continuou a produzir trabalhos matemáticos de destaque. Estima-se que suas obras completas somem 84 volumes, aproximadamente 35 mil páginas, abrangendo cerca de 40% de toda a literatura matemática da época.

A fé de Euler também se manifestava em sua vida cotidiana. Conhecido por sua humildade e caráter afável, ele frequentemente atribuía suas descobertas à inspiração divina. Para Euler, explorar os mistérios da matemática era uma forma de se aproximar do Criador, refletindo sua convicção de que a ordem e a beleza do universo eram evidências da obra de Deus.

Em 1741, Euler foi recrutado pelo Rei Frederico, o Grande, da Prússia, para seu novo centro acadêmico, a Academia Prussiana de Ciências em Berlim, onde Euler foi encarregado de uma enorme quantidade de trabalho: produzir publicações de pesquisa e supervisionar projetos de engenharia. Além disso, o rei pediu a Euler para supervisionar a então grande Igreja Calvinista Francesa em Berlim. Era uma tarefa que ele levava a sério, reformando as lições da escola dominical e incentivando a leitura da Bíblia.

Grande parte da teologia de Euler pode ser apurada em suas Cartas a uma Princesa Alemã e sua Defesa da Revelação Divina contra as Objeções dos Livre-pensadores (1747). Como todo bom protestante, Euler acreditava em Deus como Criador; na inspiração divina das Escrituras, na responsabilidade do homem diante de Deus e na soberania de Deus.

Nos dizeres de Marcelo Viana, Euler foi o matemático mais prolífico da história. E é na matemática que o seu gênio faz-se evidente: o desenvolvimento do cálculo infinitesimal, a teoria dos grafos, o conceito de função e suas inúmeras contribuições à Teoria dos Números. Nesta última, Euler estudou amplamente as conjecturas de Fermat e chegou até mesmo a desenvolver a função totiente, que hoje leva seu nome. Parece-nos que esse brilhantismo e propensão à genialidade teórico-matemática não é estranha ao protestantismo: do luteranismo de Leibniz ao presbiterianismo de Maxwell, passando por Euler e Kepler.

Euler era, sobretudo, um homem de fé. Diz-se que não é possível dissociar o homem de sua obra. Nas ciências da matemática, isso pode não parecer tão verdadeiro. Mas se podemos rastrear as motivações e as virtudes dos que construíram esse império científico sobre o qual se assenta nossa civilização, poderemos encontrar um caminho para prosseguir com nossos avanços civilzacionais e científicos.

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